20/12/11

CNI/IBOPE mostra o quanto a população está cansada do denuncismo

Não adiantou, não colou, como se diz popularmente. Fracassou redondamente a estratégia da oposição e da mídia de ressuscitar o denuncismo da velha UDN (partido que existiu 1945-1965) para tentar atingir a administração Dilma Rousseff, desestabilizar o governo e rachar a base aliada.

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Presidenta Dilma Rousseff
 
Tem surtido efeito contrário. Quanto mais atacam e mais intensificam e esticam no tempo o bombardeio de denúncias - mesmo quando o assunto já se esgotou e fica superado - mais crescem o apoio e a aprovação populares à presidenta Dilma Rousseff e a seu governo, conforme atestam os levantamentos feitos junto à opinião pública.

Pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria ao IBOPE, a ser divulgada daqui a pouco (as 11h), prova exatamente o que estou falando. A população continua a atribuir à presidenta da República e à sua gestão, altos índices de apoio e aprovação, indiferente ao denuncismo forjado pela oposição e que ocupa o maior espaço dentre todas as notícias da nossa imprensa diária.

Aprovação à presidenta e a seu governo cresce em todo o país

Pela pesquisa CNI/Ibope que será divulgada logo mais, a avaliação do governo e a aprovação à presidenta Dilma subiram em dezembro. Em setembro, última pesquisa CNI/IBOPE anteriormente elaborada, governo e presidenta tinham de 51% de apoio da população. Por este levantamento de agora, 56% dos entrevistados consideram o governo “ótimo” ou “bom”.

Melhor ainda: a avaliação positiva do governo subiu nas cinco regiões do país. Destaque para o Nordeste, onde subiu mais e se equiparou ao Sul como a região que registra a maior soma de “ótimo” e “bom”: 61%.

A aprovação pessoal da chefe do governo também subiu. Em setembro, 71% dos entrevistados a aprovavam. Agora em dezembro chegou a 72%. Entre os que tem curso superior, a aprovação é de 66%; fica bem mais alta entre os que têm até a 4ª série do ensino fundamental - chega a 78%.

Mantém-se a constante verificada desde o início do governo Lula


Analistas já destacam não haver aí nenhuma surpresa, apenas a manutenção de uma constante que se verifica desde o início do 1º governo do presidente Lula (2003-2010). A pesquisa foi feita entre os dias 2 e 5 deste mês, ouvindo 2.200 entrevistados em 142 municípios de todo o país. Sua margem de erro é de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

Da leitura da pesquisa salta claramente duas interpretações: ela mostra o quanto a população vê "fundamento" no denuncismo irresponsável da oposição e o quanto atribui credibilidade à imprensa. Depois, uma não sabe e não entende porque perdeu todas as ultimas eleições nacionais (2002, 2006 e 2010); a outra, não entende porque continua a sofrer a sangria da perda diária de leitores.

Na verdade, ambas entendem e sabem o que acontece e que suas estratégias já deram errado. Mas não tomam jeito. Esta última CNI/IBOPE é a pá de cal na demonstração do quanto a população atribui credibilidade e confia na ação da oposição e o quanto confia na mídia...

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Dinastias Midiáticas

Na imprensa brasileira mandam as dinastias estamentais. Os pais proprietários entregam a direção dos jornais, das revistas, das rádios e das televisões – das suas empresas – aos seus filhos, que repassam para os netos, perseverando todos no direito que se auto-atribuíram de decidir quem é e quem não é democrático, quem fala e quem não fala em nome da nação!

Assim tem sido ao longo de toda a história da imprensa no Brasil. No momento mais decisivo da história do século XX, em 1964, essas dinastias pregaram e apoiaram o golpe militar, assim como a instalação de uma longa ditadura, que mudou decisivamente os rumos do nosso país. Enquanto os militares intervinham nos poderes Judiciário e Legislativo, enquanto suspendiam todas as garantias constitucionais, enquanto fechavam todos órgãos de imprensa que discordaram do golpe e da ditadura, enquanto a maior repressão da nossa história recente se abatia sobre milhares de brasileiros presos, torturados, exilados e mortos, enquanto isso, as dinastias da imprensa mercantil se calaram sobre a repressão e apoiaram o regime militar!

Eram estes mesmos Mesquitas, Frias, Marinhos, Civitas, estes mesmos que transmitem por herança – como se fosse um bem privado – seu poder dinástico, transferindo-o para os seus filhos e netos. Os júlios, os otávios, os robertos, os victor, vão se sucedendo uns aos outros, a dinastia vai se perpetuando. Que se danem a democracia e o país, mas que se salvem as dinastias!

Mas, hoje, elas estão vendo seu poder se esvaindo pelos dedos. Conta-se que um desses herdeiros, rodando em torno da mesa da reunião do conselho editorial, herdada do pai, esbravejava irado: “onde foi que nós erramos? onde erramos?”. Estava desesperado porque a operação “mensalão” não conseguiu derrubar Lula elegendo o tucano, da sua preferência.

Se ele tivesse olhado os gráficos escondidos na sua sala, teria visto que, nos últimos dez anos, as tiragens dos jornais despencaram. A Folha de São Paulo, por exemplo, que é um dos de maior tiragem, perdeu em 10 anos, de 1997 a 2007, quase cinqüenta por cento dos seus leitores! Depois de quase ter atingido 600 mil leitores, vai fechar o ano de 2008 com menos de 300 mil! Uma queda ainda mais grave se considerarmos que, nesse período, houve crescimento demográfico, aumento do poder aquisitivo, maior interesse pela informação e elevação do índice de escolaridade dos brasileiros.

Os leitores deste jornal de direita estão entre os mais ricos da população. Noventa por cento dos seus menos de 300 mil exemplares são destinados aos leitores das classes A e B, as mesmas que não atingem dezoito por cento da população brasileira. Em outros termos, nove entre cada dez leitores do jornal pertencem aos setores de maior poder aquisitivo e suas condições de vida estão a léguas de distância das do nosso povo – esse povo que gosta do programa bolsa família, dos territórios de cidadania, da eletrificação rural, dos mini-créditos, do aumento real do salário mínimo, da elevação do emprego formal, etc.

A última e mais recente pesquisa sobre o apoio ao governo Lula, que a imprensa dinástica procurou esconder, realizada pela Sensus, revela que Lula é rejeitado por apenas treze por cento dos brasileiros! É essa ínfima minoria, cinco vezes menor do que aquela dos que apóiam o governo Lula, que povoa os editoriais dessa imprensa, suas colunas, seus painéis de cartas dos leitores! Esse é o índice da influência real que a mídia mercantil – juntando televisão, rádio, jornais, revistas, internets, blogs – tem! Apesar de todos os instrumentos monopólicos de que dispõem, apesar das campanhas diárias para dominar a opinião pública, não conseguem nada além desse pífio resultado dos treze por cento que representam!

As dinastias podem continuar a ter filhos, netos e bisnetos, mas é possível que já não dirijam jornais. Esta pode ser a última geração de jornalistas dinásticos que, talvez exatamente por isso, revelam diariamente o desespero da sua impotência, assumindo o mesmo papel que ocuparam nos anos prévios a 1964. É o mesmo desespero da direita diante da popularidade de um Getúlio e do governo Jango. Nos dois casos, só lhes restou apelar à intervenção das Forças Armadas e dos EUA, estes mesmos EUA que nunca fizeram autocrítica, nem desta nem de qualquer outra das suas intervenções contrárias à democracia da qual pretendem ser os arautos! Depois de terem pedido e apoiado o golpe militar, porque ainda acreditam que podem dizer quem é democrático e quem não é?

Por Emir Sader