02/09/11

Cade o melhor Ministro da Saúde do Mundo? - Um lapso de informação no editorial do Estadão

O editorial do Estadão hoje - em defesa do fim das privatizações de hospitais e pela rejeição ao projeto a ser votado pela Assembléia Legislativa, que transforma o Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo em autarquia especial (que passa a vender serviços de pesquisa e assistência) - só contém um equívoco: é quando diz que o paciente que entrar pela "porta privilegiada" no sistema hospitalar público pagará pelos serviços que receber "por algum meio".

Por qual meio? Pelos planos de saúde privados? Mas, eles se recusam a pagar há 13 anos. Desde 1998, quando foi instituído em lei que eles deveriam pagar pelo atendimento de seus pacientes pelo SUS, eles não pagam. Entraram na Justiça, e a cada vez que perdem recorrem à instância seguinte.

E vejam, a privatização proposta pela dupla José Serra/Geraldo Alckmin estabelece explicitamente que 25% (por enquanto) dos leitos da rede pública devem ficar disponibilizados para pacientes de convênios médicos particulares.

Na privatização, os contribuintes têm de pagar meio milhão/ano


Como eles não pagam, os R$ 500 milhões (no mínimo) com internações por ano,  serão, ao final e como tem sido sistematicamente até agora, pagos pelo poder público, pelos SUS. Falando em bom português, recairão sobre os contribuintes que, em última instância, sustentam o Sistema.

É por isso que se registram aberrações como as registradas no último fim de semana na mídia. Em Sertãozinho um médico encaminhou um paciente do SUS enfartado para a UTI. Mas o hospital não o recebeu porque o leito estava reservado para outro paciente de convênio privado. O médico não teve dúvidas: chamou a polícia e só com a ajuda dela, na marra, conseguiu colocar o enfartado na UTI.

Mas, como está seguro da impunidade, até pelo apoio que recebe de maneira geral da mídia - o editorial contra do Estadão, hoje, é uma exceção - o governador Alckmin avança nesse processo de privatização.

Cadê o "melhor ministro da Saúde do mundo?"


Balanço da Promotoria do Ministério Público anexado à ação cívil pública na qual conseguiu liminar para sustar esse processo de privatização mostra que hoje as OSs já administram 52 hospitais no Estado, responsáveis por 8 milhões de atendimentos em 2008.

Mas, afinal, qual é a a posição de José Serra sobre essa privatização que nada mais trouxe do que a ampliação do sucateamento da Saúde no Estado?

Por que a mídia, que na campanha eleitoral do ano passado "comprou" e veiculou o discurso difundido por José Serra, de que ele fora "o melhor ministro da Saúde do mundo", não lhe cobra agora a responsabilidade por uma privatização tão escandalosa e temerária?


Da web

1 Subverteram:

Anônimo disse...

"O melhor ministro da saude do mundo"... de que mundo???
Só se for da "Chuiça"!

Dinastias Midiáticas

Na imprensa brasileira mandam as dinastias estamentais. Os pais proprietários entregam a direção dos jornais, das revistas, das rádios e das televisões – das suas empresas – aos seus filhos, que repassam para os netos, perseverando todos no direito que se auto-atribuíram de decidir quem é e quem não é democrático, quem fala e quem não fala em nome da nação!

Assim tem sido ao longo de toda a história da imprensa no Brasil. No momento mais decisivo da história do século XX, em 1964, essas dinastias pregaram e apoiaram o golpe militar, assim como a instalação de uma longa ditadura, que mudou decisivamente os rumos do nosso país. Enquanto os militares intervinham nos poderes Judiciário e Legislativo, enquanto suspendiam todas as garantias constitucionais, enquanto fechavam todos órgãos de imprensa que discordaram do golpe e da ditadura, enquanto a maior repressão da nossa história recente se abatia sobre milhares de brasileiros presos, torturados, exilados e mortos, enquanto isso, as dinastias da imprensa mercantil se calaram sobre a repressão e apoiaram o regime militar!

Eram estes mesmos Mesquitas, Frias, Marinhos, Civitas, estes mesmos que transmitem por herança – como se fosse um bem privado – seu poder dinástico, transferindo-o para os seus filhos e netos. Os júlios, os otávios, os robertos, os victor, vão se sucedendo uns aos outros, a dinastia vai se perpetuando. Que se danem a democracia e o país, mas que se salvem as dinastias!

Mas, hoje, elas estão vendo seu poder se esvaindo pelos dedos. Conta-se que um desses herdeiros, rodando em torno da mesa da reunião do conselho editorial, herdada do pai, esbravejava irado: “onde foi que nós erramos? onde erramos?”. Estava desesperado porque a operação “mensalão” não conseguiu derrubar Lula elegendo o tucano, da sua preferência.

Se ele tivesse olhado os gráficos escondidos na sua sala, teria visto que, nos últimos dez anos, as tiragens dos jornais despencaram. A Folha de São Paulo, por exemplo, que é um dos de maior tiragem, perdeu em 10 anos, de 1997 a 2007, quase cinqüenta por cento dos seus leitores! Depois de quase ter atingido 600 mil leitores, vai fechar o ano de 2008 com menos de 300 mil! Uma queda ainda mais grave se considerarmos que, nesse período, houve crescimento demográfico, aumento do poder aquisitivo, maior interesse pela informação e elevação do índice de escolaridade dos brasileiros.

Os leitores deste jornal de direita estão entre os mais ricos da população. Noventa por cento dos seus menos de 300 mil exemplares são destinados aos leitores das classes A e B, as mesmas que não atingem dezoito por cento da população brasileira. Em outros termos, nove entre cada dez leitores do jornal pertencem aos setores de maior poder aquisitivo e suas condições de vida estão a léguas de distância das do nosso povo – esse povo que gosta do programa bolsa família, dos territórios de cidadania, da eletrificação rural, dos mini-créditos, do aumento real do salário mínimo, da elevação do emprego formal, etc.

A última e mais recente pesquisa sobre o apoio ao governo Lula, que a imprensa dinástica procurou esconder, realizada pela Sensus, revela que Lula é rejeitado por apenas treze por cento dos brasileiros! É essa ínfima minoria, cinco vezes menor do que aquela dos que apóiam o governo Lula, que povoa os editoriais dessa imprensa, suas colunas, seus painéis de cartas dos leitores! Esse é o índice da influência real que a mídia mercantil – juntando televisão, rádio, jornais, revistas, internets, blogs – tem! Apesar de todos os instrumentos monopólicos de que dispõem, apesar das campanhas diárias para dominar a opinião pública, não conseguem nada além desse pífio resultado dos treze por cento que representam!

As dinastias podem continuar a ter filhos, netos e bisnetos, mas é possível que já não dirijam jornais. Esta pode ser a última geração de jornalistas dinásticos que, talvez exatamente por isso, revelam diariamente o desespero da sua impotência, assumindo o mesmo papel que ocuparam nos anos prévios a 1964. É o mesmo desespero da direita diante da popularidade de um Getúlio e do governo Jango. Nos dois casos, só lhes restou apelar à intervenção das Forças Armadas e dos EUA, estes mesmos EUA que nunca fizeram autocrítica, nem desta nem de qualquer outra das suas intervenções contrárias à democracia da qual pretendem ser os arautos! Depois de terem pedido e apoiado o golpe militar, porque ainda acreditam que podem dizer quem é democrático e quem não é?

Por Emir Sader