30/07/11

RUPERT MURDOCH - SERÁ QUE A CASA CAIU?

Durante décadas, Murdoch tem tido um reinado impune, criando e destruindo governos através de seu vasto império midiático. Mas nós estamos fazendo frente a esse império e ganhando! Tivemos um papel crucial para impedir que Murdoch obtivesse o controle da mídia britânica. Agora estamos transformando nossa acalorada campanha britânica em uma campanha global, para reverter a ameaça de Murdoch em todos os demais países, com campanhas, investigações e medidas legais.

Grampo ilegal de telefones de crianças vítimas de homicídio, suborno de policiais, destruição de provas de crimes, ameaças a políticos... As lideranças do Reino Unido dizem que o império de Rupert Murdoch “ingressou no submundo do crime”. Durante décadas, Murdoch tem tido um reinado impune, criando e destruindo governos através de seu vasto patrimônio midiático e forçando seus adversários ao silêncio. Durante semanas, revelações em ritmo quase diário têm desvendado a amplitude das atividades corruptas de Murdoch na mídia britânica. Os espiões do magnata grampearam ilegalmente os telefones de milhares de pessoas, inclusive de viúvas em luto e soldados que haviam morrido no Iraque, roubaram as informações bancárias de um primeiro-ministro, hostilizando-o durante 10 anos, e pagaram enormes quantias de dinheiro a policiais. O filho de Rupert, James Murdoch, autorizou em pessoa o pagamento de suborno para que as vítimas se calassem.

Mas essa é apenas a ponta do iceberg: Murdoch é um problema global. Ele é famoso por ditar posicionamentos editoriais em seus jornais. Ele corrompe e controla democracias, forçando políticos a apoiar as ideias extremistas que ele tem em matéria de guerra, tortura, negacionismo climático e diversos outros males planetários e destruindo as carreiras de políticos com campanhas de difamação a menos que suas ordens sejam seguidas. Nos Estados Unidos, ele ajudou a eleger George W. Bush e mantém em sua folha de pagamentos a maioria dos presidenciáveis republicanos. A rede Fox News Network, que é parte do império de Murdoch, espalhou notícias para promover a guerra no Iraque, estimulou ressentimento contra muçulmanos e imigrantes e criou o movimento populista de direita. E o pior de tudo, talvez, é que ele ajudou a bloquear cruciais medidas globais contra as mudanças climáticas.

O reinado de medo de Murdoch está se desmoronando e muitas pessoas estão se animando a dar depoimentos contra as táticas do magnata. A represa está prestes a se romper nos EUA, Austrália e outros países, mas precisamos dar um empurrão urgente, investigando mais as atividades de Murdoch, organizando uma oposição de destaque e fazendo com que nossos políticos aprovem leis que limpem a credibilidade de nossos meios de comunicação de uma vez por todas.

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Dinastias Midiáticas

Na imprensa brasileira mandam as dinastias estamentais. Os pais proprietários entregam a direção dos jornais, das revistas, das rádios e das televisões – das suas empresas – aos seus filhos, que repassam para os netos, perseverando todos no direito que se auto-atribuíram de decidir quem é e quem não é democrático, quem fala e quem não fala em nome da nação!

Assim tem sido ao longo de toda a história da imprensa no Brasil. No momento mais decisivo da história do século XX, em 1964, essas dinastias pregaram e apoiaram o golpe militar, assim como a instalação de uma longa ditadura, que mudou decisivamente os rumos do nosso país. Enquanto os militares intervinham nos poderes Judiciário e Legislativo, enquanto suspendiam todas as garantias constitucionais, enquanto fechavam todos órgãos de imprensa que discordaram do golpe e da ditadura, enquanto a maior repressão da nossa história recente se abatia sobre milhares de brasileiros presos, torturados, exilados e mortos, enquanto isso, as dinastias da imprensa mercantil se calaram sobre a repressão e apoiaram o regime militar!

Eram estes mesmos Mesquitas, Frias, Marinhos, Civitas, estes mesmos que transmitem por herança – como se fosse um bem privado – seu poder dinástico, transferindo-o para os seus filhos e netos. Os júlios, os otávios, os robertos, os victor, vão se sucedendo uns aos outros, a dinastia vai se perpetuando. Que se danem a democracia e o país, mas que se salvem as dinastias!

Mas, hoje, elas estão vendo seu poder se esvaindo pelos dedos. Conta-se que um desses herdeiros, rodando em torno da mesa da reunião do conselho editorial, herdada do pai, esbravejava irado: “onde foi que nós erramos? onde erramos?”. Estava desesperado porque a operação “mensalão” não conseguiu derrubar Lula elegendo o tucano, da sua preferência.

Se ele tivesse olhado os gráficos escondidos na sua sala, teria visto que, nos últimos dez anos, as tiragens dos jornais despencaram. A Folha de São Paulo, por exemplo, que é um dos de maior tiragem, perdeu em 10 anos, de 1997 a 2007, quase cinqüenta por cento dos seus leitores! Depois de quase ter atingido 600 mil leitores, vai fechar o ano de 2008 com menos de 300 mil! Uma queda ainda mais grave se considerarmos que, nesse período, houve crescimento demográfico, aumento do poder aquisitivo, maior interesse pela informação e elevação do índice de escolaridade dos brasileiros.

Os leitores deste jornal de direita estão entre os mais ricos da população. Noventa por cento dos seus menos de 300 mil exemplares são destinados aos leitores das classes A e B, as mesmas que não atingem dezoito por cento da população brasileira. Em outros termos, nove entre cada dez leitores do jornal pertencem aos setores de maior poder aquisitivo e suas condições de vida estão a léguas de distância das do nosso povo – esse povo que gosta do programa bolsa família, dos territórios de cidadania, da eletrificação rural, dos mini-créditos, do aumento real do salário mínimo, da elevação do emprego formal, etc.

A última e mais recente pesquisa sobre o apoio ao governo Lula, que a imprensa dinástica procurou esconder, realizada pela Sensus, revela que Lula é rejeitado por apenas treze por cento dos brasileiros! É essa ínfima minoria, cinco vezes menor do que aquela dos que apóiam o governo Lula, que povoa os editoriais dessa imprensa, suas colunas, seus painéis de cartas dos leitores! Esse é o índice da influência real que a mídia mercantil – juntando televisão, rádio, jornais, revistas, internets, blogs – tem! Apesar de todos os instrumentos monopólicos de que dispõem, apesar das campanhas diárias para dominar a opinião pública, não conseguem nada além desse pífio resultado dos treze por cento que representam!

As dinastias podem continuar a ter filhos, netos e bisnetos, mas é possível que já não dirijam jornais. Esta pode ser a última geração de jornalistas dinásticos que, talvez exatamente por isso, revelam diariamente o desespero da sua impotência, assumindo o mesmo papel que ocuparam nos anos prévios a 1964. É o mesmo desespero da direita diante da popularidade de um Getúlio e do governo Jango. Nos dois casos, só lhes restou apelar à intervenção das Forças Armadas e dos EUA, estes mesmos EUA que nunca fizeram autocrítica, nem desta nem de qualquer outra das suas intervenções contrárias à democracia da qual pretendem ser os arautos! Depois de terem pedido e apoiado o golpe militar, porque ainda acreditam que podem dizer quem é democrático e quem não é?

Por Emir Sader