05/05/11

Depois de bin Laden, China pode entrar na mira dos EUA como próxima inimiga

 

EUA tornou-se um país que não sobrevive sem inimigos

O assassinato de Osama bin Laden oferece aos Estados Unidos uma oportunidade de declarar o fim da Guerra ao Terrorismo. Sob o ponto de vista de muitos estadunidenses, um ajuste estratégico da política externa americana parece inevitável. Ao mesmo tempo, a mídia americana está repleta de análises de como reagir a uma emergente China. Essas perspectivas e análises implicam que a política estadunidense procurará, de agora em diante, minar o desenvolvimento que a China obteve durante décadas?

Por muito tempo, os chineses foram acometidos pelo mal da ansiedade, pois para eles, um dia, os Estados Unidos irão enfrentar a China. Esse medo tem sido infundado, pelo menos até agora. Na percepção de especialistas na China e no estrangeiro, a "guerra contra o terrorismo", conduzida principalmente no mundo árabe, serviu para evitar que os EUA perturbasse a China na última década. Como os problemas continuam a se espalhar pelo Oriente Médio, os EUA parecem estar presos à essa situação por mais dez anos.

Esses pontos de vista, até certo ponto, são razoáveis mas exageram a situação. Para os Estados Unidos, as preocupações levantadas por aqueles estados autoritários do mundo árabe não são comparáveis aos avanços que percebe na China. Dado que o PIB chinês pode superar o dos EUA em 10 anos, isso pode se tornar o principal fator a ameaçar a hegemonia global americana.

Em um cenário de EUA contra a China, o confronto será a única opção? Para muitos especialistas em ambos os países a resposta é negativa. Para os EUA, parece racional para manter o status quo ao invés de provocar a China, desencadeando riscos que poderiam interferir negativamente nos próprios EUA.

Em um futuro próximo, os Estados Unidos deverão investir mais dinheiro e recursos na tentativa de conter o crescimento da China. Em contrapartida, a China tem bastante poder para prevenir o renascimento do tipo de confronto que os Estados Unidos fizeram contra a União Soviética. A ascensão pacífica da China pode ser perturbadora para os EUA, mas isso não tem estimulado a reformulação da sua política externa em relação ao o país mais populoso do mundo. Além disso, não é uma coincidência que o ritmo de crescimento da China fez diminuir os esforços dos EUA para conterem a China.

Uma abordagem feita com os pés no chão seria a de expandir ainda mais a vibrante cooperação sino-americana, que é um processo poderoso o suficiente para dirimir qualquer paranoia levantada pela extrema-direita nos EUA. Conflitos esporádicos entre os dois países podem ser inevitáveis, mas uma deterioração corrosiva das relações bilaterais poderiam ser catastróficas para ambos os países.

Nenhuma força externa pode parar a ascensão da China. O que a China precisa é de confiança na manutenção de seu rápido crescimento. Uma China confiante pode prevenir e evitar que uma pequena disputa com os Estados Unidos se transforme em uma crise sem precedentes na história entre os dois países.

Sem dúvida, os Estados Unidos são uma superpotência onipresente. A ascensão da China certamente causará atritos com os EUA e isso exige que prevaleça uma mentalidade pacífica e distensionada dos dois lados. O ex-secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, observou certa vez que, se os EUA tratarem a China como um inimigo, a China será um inimigo. Dito de outro modo, do ponto de vista chinês: Se a China tratar os EUA como um inimigo, os EUA serão um inimigo.
 
Da web

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Dinastias Midiáticas

Na imprensa brasileira mandam as dinastias estamentais. Os pais proprietários entregam a direção dos jornais, das revistas, das rádios e das televisões – das suas empresas – aos seus filhos, que repassam para os netos, perseverando todos no direito que se auto-atribuíram de decidir quem é e quem não é democrático, quem fala e quem não fala em nome da nação!

Assim tem sido ao longo de toda a história da imprensa no Brasil. No momento mais decisivo da história do século XX, em 1964, essas dinastias pregaram e apoiaram o golpe militar, assim como a instalação de uma longa ditadura, que mudou decisivamente os rumos do nosso país. Enquanto os militares intervinham nos poderes Judiciário e Legislativo, enquanto suspendiam todas as garantias constitucionais, enquanto fechavam todos órgãos de imprensa que discordaram do golpe e da ditadura, enquanto a maior repressão da nossa história recente se abatia sobre milhares de brasileiros presos, torturados, exilados e mortos, enquanto isso, as dinastias da imprensa mercantil se calaram sobre a repressão e apoiaram o regime militar!

Eram estes mesmos Mesquitas, Frias, Marinhos, Civitas, estes mesmos que transmitem por herança – como se fosse um bem privado – seu poder dinástico, transferindo-o para os seus filhos e netos. Os júlios, os otávios, os robertos, os victor, vão se sucedendo uns aos outros, a dinastia vai se perpetuando. Que se danem a democracia e o país, mas que se salvem as dinastias!

Mas, hoje, elas estão vendo seu poder se esvaindo pelos dedos. Conta-se que um desses herdeiros, rodando em torno da mesa da reunião do conselho editorial, herdada do pai, esbravejava irado: “onde foi que nós erramos? onde erramos?”. Estava desesperado porque a operação “mensalão” não conseguiu derrubar Lula elegendo o tucano, da sua preferência.

Se ele tivesse olhado os gráficos escondidos na sua sala, teria visto que, nos últimos dez anos, as tiragens dos jornais despencaram. A Folha de São Paulo, por exemplo, que é um dos de maior tiragem, perdeu em 10 anos, de 1997 a 2007, quase cinqüenta por cento dos seus leitores! Depois de quase ter atingido 600 mil leitores, vai fechar o ano de 2008 com menos de 300 mil! Uma queda ainda mais grave se considerarmos que, nesse período, houve crescimento demográfico, aumento do poder aquisitivo, maior interesse pela informação e elevação do índice de escolaridade dos brasileiros.

Os leitores deste jornal de direita estão entre os mais ricos da população. Noventa por cento dos seus menos de 300 mil exemplares são destinados aos leitores das classes A e B, as mesmas que não atingem dezoito por cento da população brasileira. Em outros termos, nove entre cada dez leitores do jornal pertencem aos setores de maior poder aquisitivo e suas condições de vida estão a léguas de distância das do nosso povo – esse povo que gosta do programa bolsa família, dos territórios de cidadania, da eletrificação rural, dos mini-créditos, do aumento real do salário mínimo, da elevação do emprego formal, etc.

A última e mais recente pesquisa sobre o apoio ao governo Lula, que a imprensa dinástica procurou esconder, realizada pela Sensus, revela que Lula é rejeitado por apenas treze por cento dos brasileiros! É essa ínfima minoria, cinco vezes menor do que aquela dos que apóiam o governo Lula, que povoa os editoriais dessa imprensa, suas colunas, seus painéis de cartas dos leitores! Esse é o índice da influência real que a mídia mercantil – juntando televisão, rádio, jornais, revistas, internets, blogs – tem! Apesar de todos os instrumentos monopólicos de que dispõem, apesar das campanhas diárias para dominar a opinião pública, não conseguem nada além desse pífio resultado dos treze por cento que representam!

As dinastias podem continuar a ter filhos, netos e bisnetos, mas é possível que já não dirijam jornais. Esta pode ser a última geração de jornalistas dinásticos que, talvez exatamente por isso, revelam diariamente o desespero da sua impotência, assumindo o mesmo papel que ocuparam nos anos prévios a 1964. É o mesmo desespero da direita diante da popularidade de um Getúlio e do governo Jango. Nos dois casos, só lhes restou apelar à intervenção das Forças Armadas e dos EUA, estes mesmos EUA que nunca fizeram autocrítica, nem desta nem de qualquer outra das suas intervenções contrárias à democracia da qual pretendem ser os arautos! Depois de terem pedido e apoiado o golpe militar, porque ainda acreditam que podem dizer quem é democrático e quem não é?

Por Emir Sader