06/02/12

Do Pinheirinho ao Pelourinho, o PSDB sempre do lado errado

Há má-fé evidente, quando os demotucanos apostam no "quanto, pior, melhor" na greve da PM da Bahia para fazer um falso contraponto ao extermínio do Pinheirinho em São Paulo.

No caso paulista, a mão-de-ferro do governador e prefeito tucano operaram a favor de Naji Nahas contra a população mais pobre e vulnerável, usando a PM paulista.

No caso baiano, um líder grevista filiado ao PSDB, insufla a PM a agir fora-da-lei e aterrorizando a população, de forma a prejudicar o andamento de negociações sobre reivindicações que seriam legítimas se feitas por outros meios.

Os grevistas perdem a razão e apoio popular para suas causas quando, na prática, sequestram a segurança pública, e colocam a população como refém. É uma situação onde ninguém sai ganhando, e só serve para enfraquecer a própria instituição policial.

Nos dois casos, o PSDB sempre esteve do lado errado.

31/01/12

Movimentos querem descolonizar os povos e enfrentar imperialismo

Durante o encerramento do Fórum Social Temático “Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental” (FST),  em Porto Alegre, a Assembleia de Movimentos Sociais lançou uma declaração reafirmando a luta contra todas as causas de uma crise sistêmica que hoje coloca em risco a sobrevivência da humanidade: “a descolonização dos povos oprimidos e o enfrentamento ao imperialismo é o principal desafio dos movimentos sociais dos vários continentes”, diz o documento.
A secretária de movimentos sociais do PCdoB, Lúcia Stumpf, ressaltou que a Assembleia foi “mais uma vez o ponto alto do FST, tal como verificado nas últimas edições do Fórum”. A importância do evento se dá pelo fato de unificar a agenda e possibilitar a delimitação de pautas unitárias desses movimentos. Nesse sentido, foi escolhido o dia 5 de junho como Dia da Luta Contra o Capitalismo.

Lúcia ressaltou também que a reunião deu mais condições para os militantes participarem da Rio+20, oferecendo subsídios para que possam intervir na pauta governamental da Cúpula, que será realizada em junho, no Rio de Janeiro. “Somente com soberania e desenvolvimento social se alcança justiça ambiental”, sentenciou.

Considerado uma preparação para a conferência Rio+20, o FST trouxe a discussão ambiental para o centro dos debates, como pode ser observado no documento, que em tom de denúncia observa: “a tentativa de esverdeamento do capitalismo, acompanhada pela imposição de novos instrumentos da ‘economia verde’, é um alerta para que os movimentos sociais reforcem a resistência e assumam o protagonismo na construção de verdadeiras alternativas à crise”.

Para os movimentos sociais, “o aquecimento global é resultado do sistema capitalista de produção, distribuição e consumo” e reitera: “rejeitamos todas as ‘soluções’ para essas crises, como agrocombustíveis, transgênicos, geoengenharia e mercados de carbono, que são apenas novos disfarces do sistema”.

Acompanhe a íntegra do documento:
Nós, povos de todos os continentes, reunidos na Assembleia de Movimentos Sociais, realizada durante o Fórum Social Temático Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental, lutamos contra as causas de uma crise sistêmica, que se expressa na crise econômica, financeira, política, alimentar e ambiental, que se irradia por todas as dimensões, colocando em risco a própria sobrevivência da humanidade. A descolonização dos povos oprimidos e o enfrentamento ao imperialismo é o principal desafio dos movimentos sociais dos vários continentes.

Neste espaço, nos reunimos desde nossa diversidade para, juntos, construir agendas e ações comuns contra o capitalismo, o patriarcado, o racismo e todo tipo de discriminação e exploração. Por isso reafirmamos nossos eixos comuns de luta, adotados em nossa assembleia de Dakar, em 2011:

Lutar contra as transnacionais
Luta pela justiça climática e pela soberania alimentar
Luta para banir a violência contra a mulher
Luta pela paz e contra a guerra, o colonialismo, as ocupações e a militarização de nossos territórios

Os povos de todo o mundo sofrem hoje os efeitos do agravamento de uma profunda crise do capitalismo, na qual seus agentes (bancos, transnacionais, conglomerados midiáticos, instituições internacionais e governos servis) buscam potencializar seus lucros às custas de uma política intervencionista e neocolonialista. São guerras, ocupações militares, tratados neoliberais de livre comércio e “medidas de austeridade” expressas em pacotes econômicos que privatizam estatais, arrocham salários, reduzem direitos, multiplicam o desemprego e assaltam os recursos naturais. Tais políticas atingem agora com intensidade os países mais ricos do Norte global, que contraem dívidas ilegítimas e hipotecam seu futuro.

A lógica excludente deste modelo serve tão somente para enriquecer uma pequena elite, tanto nos países do Norte como nos do Sul global, em detrimento da grande maioria da população. A defesa da soberania e da autodeterminação dos povos e da justiça social, econômica, ambiental e de gênero são as chaves para o enfrentamento e a superação da crise, fortalecendo o protagonismo de um Estado livre das corporações e a serviço dos povos.

O aquecimento global é resultado do sistema capitalista de produção, distribuição e consumo. As transnacionais, as instituições financeiras, os governos e organismos internacionais a seu serviço, não querem reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. Agora, tentam nos impor a “economia verde” como solução para a crise ambiental e alimentar, o que, além de agravar o problema, resulta na mercantilização, privatização e financeirização da vida. Rejeitamos todas as “soluções” para essas crises, como agrocombustíveis, transgênicos, geoengenharia e mercados de carbono, que são apenas novos disfarces do sistema.

Denunciamos a violência contra a mulher exercida regularmente como ferramenta de controle de suas vidas e de seus corpos, e o aumento da superexploração de seu trabalho, utilizado para amortecer os impactos da crise e manter a margem de lucros constantes das empresas. Lutamos contra o tráfico de mulheres e de crianças, as migrações forçadas e o preconceito racial. Defendemos a diversidade sexual, o direito à autodeterminação de gênero e lutamos contra a homofobia e a violência sexista.

As potências imperialistas utilizam bases militares estrangeiras para fomentar conflitos, controlar e saquear os recursos naturais, e promover ditaduras em vários países. Denunciamos o falso discurso de defesa dos direitos humanos que muitas vezes justifica essas ocupações. Manifestamo-nos contra a persistente violação dos direitos humanos e democráticos em Honduras, especialmente em el Bajo Aguan, o assassinato de sindicalistas e lutadores sociais na Colômbia e o criminoso bloqueio a Cuba – que completa 50 anos. Lutamos pela libertação dos cinco cubanos presos ilegalmente nos Estados Unidos, a ocupação ilegal das Ilhas Malvinas pela Inglaterra, as torturas e a ocupação militar pelos Estados Unidos e pela Otan na Líbia e no Afeganistão. Denunciamos o processo de neocolonização e militarização que vive o continente africano e a presença de Africom.

Intensifiquemos a solidariedade aos povos em luta e denunciemos a criminalização dos movimentos sociais. Nossa luta é dirigida também contra a Otan e pela eliminação de todas as armas nucleares.

O capitalismo destrói a vida das pessoas. Porém, a cada dia, nascem múltiplas lutas pela justiça social para eliminar os efeitos deixados pelo colonialismo e para que todos e todas tenhamos qualidade de vida digna. Cada uma destas lutas implica uma batalha de ideias, o que torna imprescindíveis ações pela democratização dos meios de comunicação, hoje controlados por grande conglomerados e contra o controle privado da propriedade intelectual. Ao mesmo tempo, exige o desenvolvimento de uma comunicação independente, que acompanhe estrategicamente nossos processos.

Comprometidos com nossas lutas históricas, defendemos o trabalho decente e a reforma agrária como único caminho para dar impulso à agricultura familiar, camponesa e indígena, e passo central para alcançar a soberania alimenta e a justiça ambiental.

A luta pelo fortalecimento da educação e da ciência e da tecnologia públicas e a serviço dos povos, assim como a defesa dos saberes tradicionais, se tornam inadiáveis, uma vez que persistem sua mercantilização e privatização. Diante disso, manifestamos nossa solidariedade e apoio aos estudantes chilenos, colombianos, porto-riquenhos e de todo o mundo que continuam em marcha na defesa desses bens comuns.

Afirmamos que os povos não devem continuar a pagar por esta crise sistêmica e que não há saída dentro do sistema capitalista!

Encontram-se na agenda grandes desafios, que exigem que articulemos nossas lutas e que nos mobilizemos massivamente.

A realização da Rio+20 e da Cúpula dos Povos, no mês de junho no Rio de Janeiro, passados 20 anos da ECO-92, reforça a centralidade da luta por justiça ambiental em oposição ao modelo de desenvolvimento capitalista. A tentativa de esverdeamento do capitalismo, acompanhada pela imposição de novos instrumentos da “economia verde”, é um alerta para que os movimentos sociais reforcem a resistência e assumam o protagonismo na construção de verdadeiras alternativas à crise.

Inspirados na história de nossas lutas e na força renovadora de movimentos como a Primavera Árabe, o Ocuppy Wall Street, os “indignados” e na luta dos estudantes chilenos, a Assembleia dos Movimentos Sociais convoca as forças e atores populares de todos os países a desenvolver ações de mobilização, coordenadas em nível mundial, para contribuir com a emancipação e a autodeterminação de nossos povos, reforçando a luta contra o capitalismo.

Convocamos a fortalecer o Encontro Internacional de Direitos Humanos em Solidariedade a Honduras e construir o Fórum Social Palestina Livre, reforçando o movimento global de boicote, desinvestimentos e sanções contra o Estado de Israel e sua política de apartheid contra o povo palestino.

E convocamos todos e todas a tomar as ruas no dia 5 de junho, numa grande jornada de mobilização global contra o capitalismo e em defesa da justiça ambiental e social.

Por Vanessa Silva

17/01/12

Convite para José Serra: lançamento do livro e debate da Privataria Tucana no Rio e Curitiba


O livro "A Privataria Tucana" tem lançamento e debate aberto ao público nesta semana, no Rio de Janeiro e em Curitiba. Todos os amigos leitores estão convidados.

Dia 17 de janeiro, terça-feira, no Rio de Janeiro
A partir das 19 horas
Local: Livraria da Travessa - Shopping Leblon
Av. Afrânio de Mello Franco, 290 - Loja 205A - 2º Piso
Com a presença:
- do autor, jornalista Amaury Ribeiro Júnior;
- do sociólogio Emir Sader;
- do ator José de Abreu;
- do jornalista Fernando Brito;
- do editor Luiz Fernando Emediato;

Dia 18 de janeiro, quarta-feira, no Rio de Janeiro
A partir das 18:30 horas
Local: Auditório do Sindicato do Bancários do Rio
Av. Presidente Vargas, 502 - 21º andar - Centro
Com a presença:
- do autor, jornalista Amaury Ribeiro Júnior;
- do deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB/SP);
Foram convidados também o senador Lindbergh Farias (PT/RJ) e o deputado estadual Gilberto Palmares (PT/RJ).

Dia 19 de janeiro, quinta-feira, em Curitiba
A partir das 19 horas
Local: Auditório do SISMUC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba)
Rua Monsenhor Celso, 225, 9º andar, conjunto 901 - Centro

O convite é extensivo à José Serra e sua filha Verônica Serra, seu genro Alexandre Bourgeois, ao seu primo político Gregório Preciado, e a seu amigo Ricardo Sérgio.
 

27/12/11

Willian Waack, da TV Globo, aplica conto do vigário no telespectador

Dados do FMI: http://goo.gl/C6RVL
Definitivamente, os pais que quiserem dar uma boa educação para os filhos devem orientá-los para ficarem longe dos telejornais da TV Globo, pois além do péssimo jornalismo, faz mal até para o aprendizado na escola. As crianças e jovens que assistem aprendem errado fatos da História do Brasil.

O Brasil cresceu mais rápido do que os países ricos e se tornou a 6ª economia do mundo, ultrapassando o Reino Unido (Inglaterra + Escócia + Irlanda do Norte + País de Gales, juntos).

Isso aconteceu, incontestavelmente, no governo Lula e no governo Dilma, segundo dados do próprio FMI.

Só no dia 26/12/2011, dez dias depois de nosso blog noticiar, o Jornal da Globo resolveu dar a notícia. Ancorado pelo informante da embaixada estadunidense (segundo o wikileaks), Mr. Bill Waack (William Waack) quis contrabandear o FHC para dentro desta história, dizendo que "...desde os anos 1990, com a implantação do Plano Real e o controle da inflação, isso já era previsto...".

Uma ova! Isso é querer aplicar o conto do vigário no telespectador. É um estelionato noticioso. É falsear a história. O Brasil é o "país do futuro" há décadas, mas desde que FHC quebrou o Brasil de vez para se reeleger em 1998, ninguém apostava que iria ultrapassar o Reino Unido tão cedo, como em 2011. Havia previsões para 2030, 2050 desde que criaram a sigla BRICS.

O que a TV Globo fez é como dizer que a seleção brasileira de Felipão foi campeã do mundo em 2002 graças ao técnico Lazaroni (que perdeu a copa de 1990 na segunda fase).

Vamos recontar essa história, restabelecendo a verdade dos fatos, para impedir que as crianças e os jovens aprendam coisas erradas da história do Brasil por culpa da partidarização da TV Globo.

O Plano Real foi o entreguismo ao consenso de Washington, sob uma reforma monetária, nem tão boa assim, pois o mérito de fato foi estabilizar a inflação, mas em contrapartida implantou-se de vez uma dependência da ditadura dos bancos privados e do capital estrangeiro, que saquearam as riquezas nacionais e suor dos trabalhadores durante a roubalheira da Privataria Tucana, seja através da venda de patrimônio público, seja através da especulação com a dívida pública.

Além de promover o entreguismo, sucateou o Brasil, entregando todas as nossas riquezas e planejamento para a "mão invisível do mercado", que levou à coisas absurdas como o apagão elétrico de meses de racionamento, e entregou o próprio mercado interno para exploração pura e simples por estrangeiros sem compromisso de gerar empregos e riquezas aqui.

Crescimento econômico consistente só veio a acontecer de novo no governo Lula, com investimentos estatais, tais como na Petrobrás e na infra-estrutura, com política industrial, com o consequente aumento do emprego. Outra causa desse crescimento foi a distribuição de renda e inclusão social, além da expansão do crédito, expandindo o mercado interno.

Em 1994, Itamar Franco (o verdadeiro comandante do Plano Real) entregou o país na 7ª posição (segundo o FMI). É verdade que a moeda brasileira (o Real) sobrevalorizado, valendo mais do que o dólar, inflava um pouco o PIB computado em dólar, a ponto de colocar o Brasil à frente da China. Mas mesmo se a moeda não estivesse com um valor artificialmente forçado é provável que o país fosse a 8ª economia naquela época.

FHC recebeu o país nessas circuntâncias favoráveis, e não soube aproveitar a oportunidade. Em seus 8 anos de desgoverno demo-tucano, o Brasil só desceu ladeira abaixo, sendo ultrapassado não só pela China (o que era esperado e natural), mas também por países como México, Espanha, Coreia do Sul, Canadá e Índia. Há estudos em que o PIB da Austrália e da Holanda superou o brasileiro em algum trimestre, durante o governo demo-tucano.

O PIB caiu por culpa direta das decisões e escolhas do governo demo-tucano, pouco tendo a ver com conjunturas desfavoráveis.

Quando a Privataria Tucana entregou a Telebras e a Embratel para espanhóis, portugueses e mexicanos, foi o PIB daqueles países que cresceram.

Quando a Petrobrás encomendava plataformas em Singapura e outros países, era o PIB de lá que crescia.

Quando o populismo cambial era usado para reeleger FHC, até coca-cola em lata era importada do México e dos EUA, e era o PIB de lá que crescia, enquanto aqui afundava e gerava desemprego.

Em 2002, FHC entregou o país à Lula rebaixado para a 13ª economia do mundo.

Lula recebeu a herança maldita de FHC, na 13ª posição, quebrado, e entregou para Dilma em 2010 na 7ª posição, com uma economia saneada e sólida, ultrapassando de novo México, Espanha, Coreia do Sul, Canadá, Índia e, pela primeira vez nas últimas décadas, ultrapassando a Itália.

Agora Dilma recebeu a herança bendita de Lula, e também está sabendo conduzir o país, levando-o para a inédita posição de 6ª economia do mundo, em plena crise internacional.
 
 

20/12/11

CNI/IBOPE mostra o quanto a população está cansada do denuncismo

Não adiantou, não colou, como se diz popularmente. Fracassou redondamente a estratégia da oposição e da mídia de ressuscitar o denuncismo da velha UDN (partido que existiu 1945-1965) para tentar atingir a administração Dilma Rousseff, desestabilizar o governo e rachar a base aliada.

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Presidenta Dilma Rousseff
 
Tem surtido efeito contrário. Quanto mais atacam e mais intensificam e esticam no tempo o bombardeio de denúncias - mesmo quando o assunto já se esgotou e fica superado - mais crescem o apoio e a aprovação populares à presidenta Dilma Rousseff e a seu governo, conforme atestam os levantamentos feitos junto à opinião pública.

Pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria ao IBOPE, a ser divulgada daqui a pouco (as 11h), prova exatamente o que estou falando. A população continua a atribuir à presidenta da República e à sua gestão, altos índices de apoio e aprovação, indiferente ao denuncismo forjado pela oposição e que ocupa o maior espaço dentre todas as notícias da nossa imprensa diária.

Aprovação à presidenta e a seu governo cresce em todo o país

Pela pesquisa CNI/Ibope que será divulgada logo mais, a avaliação do governo e a aprovação à presidenta Dilma subiram em dezembro. Em setembro, última pesquisa CNI/IBOPE anteriormente elaborada, governo e presidenta tinham de 51% de apoio da população. Por este levantamento de agora, 56% dos entrevistados consideram o governo “ótimo” ou “bom”.

Melhor ainda: a avaliação positiva do governo subiu nas cinco regiões do país. Destaque para o Nordeste, onde subiu mais e se equiparou ao Sul como a região que registra a maior soma de “ótimo” e “bom”: 61%.

A aprovação pessoal da chefe do governo também subiu. Em setembro, 71% dos entrevistados a aprovavam. Agora em dezembro chegou a 72%. Entre os que tem curso superior, a aprovação é de 66%; fica bem mais alta entre os que têm até a 4ª série do ensino fundamental - chega a 78%.

Mantém-se a constante verificada desde o início do governo Lula


Analistas já destacam não haver aí nenhuma surpresa, apenas a manutenção de uma constante que se verifica desde o início do 1º governo do presidente Lula (2003-2010). A pesquisa foi feita entre os dias 2 e 5 deste mês, ouvindo 2.200 entrevistados em 142 municípios de todo o país. Sua margem de erro é de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

Da leitura da pesquisa salta claramente duas interpretações: ela mostra o quanto a população vê "fundamento" no denuncismo irresponsável da oposição e o quanto atribui credibilidade à imprensa. Depois, uma não sabe e não entende porque perdeu todas as ultimas eleições nacionais (2002, 2006 e 2010); a outra, não entende porque continua a sofrer a sangria da perda diária de leitores.

Na verdade, ambas entendem e sabem o que acontece e que suas estratégias já deram errado. Mas não tomam jeito. Esta última CNI/IBOPE é a pá de cal na demonstração do quanto a população atribui credibilidade e confia na ação da oposição e o quanto confia na mídia...

27/11/11

Escândalo Tucano - A prisão do tucano João Faustino foi só um aperitivo

Quem pensa que a Operação Sinal Fechado do Ministério Público Estadual em conjunto com a Polícia Militar que detectou um esquema fraudulento no Detran/RN se encerrou com a prisão de oito envolvidos, inclusive do suplente de senador João Faustino (PSDB), está enganado. Isso serviu apenas como aperitivo. Essa foi apenas a primeira fase da petição do MP. Embora o promotor de Defesa do Patrimônio Público, Eudo Rodrigues Leite, tenha sido contraditório ao informar à imprensa que o MP não tinha requisitos técnicos que embasassem o pedido de prisão preventiva ou temporária dos ex-governadores Wilma de Faria e Iberê Ferreira de Souza, e que por isso dificilmente se encontrariam provas contra principalmente a ex-governadora, isso não significa dizer que tanto Wilma quanto Iberê não continuam sob a mira do MP.

Prova maior disso é que o próprio promotor disse que a Justiça aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos envolvidos no processo fraudulento.

- Interrogamos dois presos e eles confirmaram a participação dos ex-governadores Wilma de Faria e Iberê Ferreira de Souza no processo de corrupção.

Eudo afirmou, ainda, que José Gilmar de Carvalho Lopes (Gilmar da Montana), detalhou durante o depoimento, que tanto Wilma de Faria quanto Iberê Ferreira, receberiam 15% dos lucros futuros da empresa GO Desenvolvimento de Negócios.

Portanto, por si só a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos acusados por fraudes cometidas no Detran/RN nos governos Wilma e Iberê já significa dizer que mais novidades ainda estão por vir na Sinal Fechado. Que aliás, com a quebra desses sigilos o sinal começa a abrir. A conferir!

Por Carlos A. Barbosa

01/11/11

Quem tem medo da Revolução?

Pelo mundo inteiro pipocam manifestações contra a ganância, essência do capitalismo -- com uma força e abrangência que não se viam desde as primaveras de 1968

Um espectro ronda a esquerda: o espectro da revolução.

Pelo mundo inteiro pipocam manifestações contra a ganância, essência do capitalismo -- com uma força e abrangência que não se viam desde as primaveras de 1968.

E, quando as rodas da História começam de novo a girar, após quatro décadas de marasmo e consumismo, a esquerda moldada na fase do refluxo revolucionário não consegue acompanhar os ventos de mudança.
Continua defendendo com unhas e dentes os regimes híbridos que sustentaram nossa fé nos anos difíceis, sem acordar para a realidade de que estamos ingressando numa época na qual podemos novamente sonhar com -- e devemos novamente lutar por -- uma revolução nos moldes clássicos.

Ou seja, internacional e desencadeada de baixo para cima, tendo os explorados como sujeito e não como objeto.

Chega de abençoarmos aquelas ditaduras instauradas por quarteladas que, qual fazendas modelos, cuidavam bem do seu gado enquanto não tugisse nem mugisse! Não são e nunca foram o que, marxistas e anarquistas, tínhamos como meta, mas, aos olhos dos cidadãos despolitizados e manipulado pelas indústria cultural, acabam se identificando conosco, como se fôssemos totalitários e carniceiros.

O panorama que hoje se vislumbra é muito mais grandioso. Como Vandré cantou em 1968, temos de novo a certeza na frente e a História na mão.

Beco sem saída

Já faz quase um século que os movimentos revolucionários desviaram por atalho que acabou conduzindo a um beco sem saída.

O desvio foi decidido às vésperas da revolução soviética, quando o Partido Bolchevique discutiu dramaticamente se valia a pena tomar-se o poder num país atrasado, contrariando duas premissas marxistas: a da revolução internacional e a da construção do socialismo a partir das nações economicamente mais pujantes (e não o contrário!).

Foi uma avaliação arguta ou um dom profético que levou Marx a pregar uma tomada de poder em escala global? A História comprovaria ser o capitalismo tão poderoso que, se nações isoladas tentam edificar uma sociedade mais justa, ou são por ele esmagadas, ou sobrevivem ao preço da descaracterização de suas propostas originais.
"...embora a Rússia não estivesse pronta para o socialismo, serviria como estopim da revolução mundial..."
Em 1917, prevaleceu o argumento de que, embora a Rússia não estivesse pronta para o socialismo, serviria como estopim da revolução mundial, começando pela revolução alemã, prevista para questão de meses. Então, o atraso econômico russo seria contrabalançado pela prosperidade alemã; juntas, efetuariam uma transição mais suave para o socialismo.
Deu tudo errado. A reação venceu na Alemanha, a nova república soviética só pôde depender de si mesma e, após rechaçar bravamente as tropas estrangeiras que tentaram restabelecer o regime antigo, viu-se obrigada a erguer uma economia moderna a partir do nada.

Quando o ardor revolucionário das massas arrefeceu -- não dura indefinidamente, em meio à penúria --, a mobilização de esforços para superação do atraso econômico acabou se dando por meio da ditadura e do culto à personalidade.

A Alemanha nazista era o espantalho que impunha urgência: mais dia, menos dia haveria o grande confronto e a URSS precisava estar preparada. O stalinismo foi engendrado em circunstâncias dramáticas.

A república soviética acabou salvando o mundo do nazismo -- foi ela que quebrou as pernas de Hitler, sem dúvida! --, mas perdeu sua alma: já não eram os trabalhadores que estavam no poder, mas sim uma odiosa nomenklatura.

Concretizara-se a profecia sinistra de Trotsky: primeiro, o partido substitui o proletariado; depois, o Comitê Central substitui o partido; finalmente, um tirano substitui o Comitê Central.

Com uma ou outra nuance, foi este o destino das revoluções que tentaram edificar o socialismo num só país: foram isoladas, tornaram-se autoritárias e não tiveram pujança econômica para competir com o mundo capitalista, acabando por sucumbir ou por se tornarem modelos híbridos (como o chinês, que mescla capitalismo de estado na economia com despotismo stalinista na política).

E agora, José?

Agora, só nos resta voltarmos ao princípio de tudo: Marx.

Reassumirmos a tarefa de engendrar a onda revolucionária que varrerá o mundo.
Esquecermos a heresia de solapar o capitalismo a partir dos seus elos mais fracos, pois o velho barbudo estava certíssimo: as nações economicamente mais poderosas é que determinam a direção para a qual as demais seguirão, e não o contrário.

Isto, claro, se tivermos como meta a condução da humanidade a um estágio superior de civilização. Pois o cerco das nações prósperas pelos rústicos e atrasados já vingou uma vez, quando Roma sucumbiu aos bárbaros... e o resultado foi um milênio de trevas.

Se, pelo contrário, quisermos cumprir as promessas originais do marxismo, as condições hoje são bem propícias do que um século atrás:

"...só unidos e solidários os homens conseguirão sobreviver..."

o capitalismo já cumpriu seu papel histórico no desenvolvimento das forças produtivas e está tendo sobrevida cada vez mais parasitária, perniciosa e destrutiva -- tanto que mantém a parcela pobre da humanidade sob o jugo da necessidade quando já estão criadas todas as premissas para o reino da liberdade, e o 1º mundo sob o jugo da competitividade obsessiva, estressante e neurótica, quando já estão criadas todas as premissas para uma existência fraternal, harmoniosa e criativa;

os meios de comunicação que ele desenvolveu, como a internet, facilitam a disseminação e coordenação dos movimentos revolucionários em escala mundial, de forma que um novo 1968, p. ex., hoje seria muito mais abrangente (está longe de ser utópica, agora, a possibilidade de uma onda revolucionária varrer o mundo);
a necessidade de adotarmos como prioridade máxima a colaboração dos homens para promover o bem comum, em lugar da ganância e da busca de diferenciação e privilégio, será dramatizada pelas consequências das alterações climáticas e da má gestão dos recursos imprescindíveis à vida humana, gerando crises tão agudas que só unidos e solidários eles conseguirão sobreviver.

Nem preciso dizer que a forte componente libertária original do marxismo tem de ser reassumida, pois os melhores seres humanos, aqueles dos quais precisamos, jamais nos acompanharão de outra forma (esta é uma das conclusões mais óbvias a serem tiradas dos acontecimentos das últimas décadas).

A bandeira da liberdade deve ser empunhada de novo pelos que realmente a podem concretizar, não pelos que só têm a oferecer um cativeiro com as grades introjetadas, pois a indústria cultural as martela dia e noite na cabeça dos videotas.

É este o edifício sólido que podemos começar a construir com os tijolos do muro de Berlim e tantos outros muros tombados.

E é esta a postura com que poderemos nos afirmar como o que devemos e temos a obrigação de ser: a vanguarda dos indignados de todos os quadrantes.

Por Celso Lungaretti

Dinastias Midiáticas

Na imprensa brasileira mandam as dinastias estamentais. Os pais proprietários entregam a direção dos jornais, das revistas, das rádios e das televisões – das suas empresas – aos seus filhos, que repassam para os netos, perseverando todos no direito que se auto-atribuíram de decidir quem é e quem não é democrático, quem fala e quem não fala em nome da nação!

Assim tem sido ao longo de toda a história da imprensa no Brasil. No momento mais decisivo da história do século XX, em 1964, essas dinastias pregaram e apoiaram o golpe militar, assim como a instalação de uma longa ditadura, que mudou decisivamente os rumos do nosso país. Enquanto os militares intervinham nos poderes Judiciário e Legislativo, enquanto suspendiam todas as garantias constitucionais, enquanto fechavam todos órgãos de imprensa que discordaram do golpe e da ditadura, enquanto a maior repressão da nossa história recente se abatia sobre milhares de brasileiros presos, torturados, exilados e mortos, enquanto isso, as dinastias da imprensa mercantil se calaram sobre a repressão e apoiaram o regime militar!

Eram estes mesmos Mesquitas, Frias, Marinhos, Civitas, estes mesmos que transmitem por herança – como se fosse um bem privado – seu poder dinástico, transferindo-o para os seus filhos e netos. Os júlios, os otávios, os robertos, os victor, vão se sucedendo uns aos outros, a dinastia vai se perpetuando. Que se danem a democracia e o país, mas que se salvem as dinastias!

Mas, hoje, elas estão vendo seu poder se esvaindo pelos dedos. Conta-se que um desses herdeiros, rodando em torno da mesa da reunião do conselho editorial, herdada do pai, esbravejava irado: “onde foi que nós erramos? onde erramos?”. Estava desesperado porque a operação “mensalão” não conseguiu derrubar Lula elegendo o tucano, da sua preferência.

Se ele tivesse olhado os gráficos escondidos na sua sala, teria visto que, nos últimos dez anos, as tiragens dos jornais despencaram. A Folha de São Paulo, por exemplo, que é um dos de maior tiragem, perdeu em 10 anos, de 1997 a 2007, quase cinqüenta por cento dos seus leitores! Depois de quase ter atingido 600 mil leitores, vai fechar o ano de 2008 com menos de 300 mil! Uma queda ainda mais grave se considerarmos que, nesse período, houve crescimento demográfico, aumento do poder aquisitivo, maior interesse pela informação e elevação do índice de escolaridade dos brasileiros.

Os leitores deste jornal de direita estão entre os mais ricos da população. Noventa por cento dos seus menos de 300 mil exemplares são destinados aos leitores das classes A e B, as mesmas que não atingem dezoito por cento da população brasileira. Em outros termos, nove entre cada dez leitores do jornal pertencem aos setores de maior poder aquisitivo e suas condições de vida estão a léguas de distância das do nosso povo – esse povo que gosta do programa bolsa família, dos territórios de cidadania, da eletrificação rural, dos mini-créditos, do aumento real do salário mínimo, da elevação do emprego formal, etc.

A última e mais recente pesquisa sobre o apoio ao governo Lula, que a imprensa dinástica procurou esconder, realizada pela Sensus, revela que Lula é rejeitado por apenas treze por cento dos brasileiros! É essa ínfima minoria, cinco vezes menor do que aquela dos que apóiam o governo Lula, que povoa os editoriais dessa imprensa, suas colunas, seus painéis de cartas dos leitores! Esse é o índice da influência real que a mídia mercantil – juntando televisão, rádio, jornais, revistas, internets, blogs – tem! Apesar de todos os instrumentos monopólicos de que dispõem, apesar das campanhas diárias para dominar a opinião pública, não conseguem nada além desse pífio resultado dos treze por cento que representam!

As dinastias podem continuar a ter filhos, netos e bisnetos, mas é possível que já não dirijam jornais. Esta pode ser a última geração de jornalistas dinásticos que, talvez exatamente por isso, revelam diariamente o desespero da sua impotência, assumindo o mesmo papel que ocuparam nos anos prévios a 1964. É o mesmo desespero da direita diante da popularidade de um Getúlio e do governo Jango. Nos dois casos, só lhes restou apelar à intervenção das Forças Armadas e dos EUA, estes mesmos EUA que nunca fizeram autocrítica, nem desta nem de qualquer outra das suas intervenções contrárias à democracia da qual pretendem ser os arautos! Depois de terem pedido e apoiado o golpe militar, porque ainda acreditam que podem dizer quem é democrático e quem não é?

Por Emir Sader